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Servidores reivindicam segurança no Hospital Mental de Messejana

maio 22, 2009

(Jornal O Estado – 22.05.09)

Por Ivna Girão

Dentre as queixas, os servidores reclamam de roubos a bens patrimoniais, de ameaças de morte e insultos a funcionários

“Somos um hospital e não um presídio. Aumentar os muros e colocar policiais é um retrocesso a todos os avanços que já tivemos”, frisou o diretor do Hospital Mental de Messejana, Marcelo Teófilo, ao receber, do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público do Ceará (MOVA-SE), denúncias de falta de segurança no local e de vulnerabilidade dos mais de 300 servidores que trabalham na instituição. Coincidência ou não, essa pauta vem à tona na semana em que se comemora o dia nacional de Luta Antimanicomial no Brasil, 18 de maio. A Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa) vai colocar, ainda hoje dois guardas para reforçar a segurança.

Dentre as queixas, os servidores reclamam de roubos a bens patrimoniais, de ameaças de morte e insultos a funcionários: “os servidores sofre m terrorismo psicológicos de alguns dependentes químicos que fazem parte do programa Elos da Vida. Os muros são baixos e não há policiamento adequado. Queremos prevenir que transtornos maiores aconteçam e que os trabalhadores possam atuar sem correr riscos”, afirmou o coordenador do Mova-se Airton Lucena Filho. Reivindicando reunião com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), o sindicalista aguarda. “Já encaminhamos um ofício e queremos resolver essa questão em parceria com os gestores responsáveis”, disse Airton Lucena. Com 30 dependentes químicos em tratamento no programa Elo da Vida, o Marcelo Teófilo reafirma o “compromisso com a segurança e acha um exagero as denúncias do Sindicato”.

Relatando a vulnerabilidade dos servidores da instituição, o coordenador do Mova-se fala que o policiamento é insuficiente para uma unidade que oferece tratamento aos usuários de drogas, álcool e pessoas com transtornos mentais. “Recebemos denúncias de alguns trabalhadores que estão sofrendo ameaças dos usuários de droga em tratamento sem internação. Já pensou um deles sair de noite e ameaçar, nas ruas, um servidor nosso?”, indagou o coordenador do Sindicato. Segundo ele, a vigilância não é adequada e o controle de entrada e saída de drogadictos é falho. “Os dependentes químicos chegam a pular o muro para fugir e até podem agredir os trabalhadores”, disse o representante do Mova-se. Airton Filho disse ainda que o objetivo não é “reprimir os pacientes, mas garantir segurança de trabalho para aqueles que estão sofrendo com as fragilidades e omissões do serviço público”.

O diretor do Hospital Mental de Messejana afirmou que “há necessidade de cuidados com a segurança, mas que há também muito exagero na fala do Mova-se”. Segundo o médico, uma equipe de sete seguranças faz rodízio para garantir a tranquilidade na instituição. Ele disse ainda que a questão é muito delicada e representa “uma linha tênue entre a dita segurança e o preconceito e criminalização do paciente”. Há dois anos à frente da direção, ele relatou que acontecem poucos casos pontuais, mas que aumentar muros não resolverá nada. “Temos que garantir a dignidade e o tratamento dos pacientes. Ter policiais pode trazer mais problemas e reprimir ainda mais os drogadictos. Já pensou se, em crise de abstinência, um interno pega uma arma do vigilante?”, alertou Marcelo Teófilo.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=12773)

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