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Apenas 16% da população utilizam transporte individual

maio 21, 2009

(Jornal O Estado – 21.05.09)

Por Ivna Girão

Gestores, políticos e pesquisadores discutiram saída para caos urbano

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Tempo de viagem, espera pelos coletivos, segurança no percurso, preço da tarifa, qualidade dos serviços e conforto. Todos esses fatores devem ser analisados pelos gestores e empresários de ônibus para a garantia do bom funcionamento do sistema de transporte público rodoviário em Fortaleza. Como garantir qualidade de vida para o trabalhador que diariamente tem que encarar a lotação dos ônibus? Em audiência pública sobre mobilidade urbana em Fortaleza, na tarde de ontem na Câmara dos Vereadores, gestores, políticos e pesquisadores pareciam chegar a um consenso: o problema da mobilidade de passageiros não é a falta de ônibus, mas a necessidade das aberturas de novas vias de acesso ao trânsito. Em hora de ‘pico’ vemos que a cidade não comporta mais tantos veículos. Representando a maioria da população, os usuários de sistema coletivo sofrem: “apenas 16% da população utiliza o transporte individual. O uso do automóvel é uma das principais causas da situação no caos urbano em Fortaleza. essa minoria engarrafa o trânsito”, disse o vereador João Alfredo (PSol) que requereu a audiência. A frota atual de veículos em Fortaleza já passa de 589.590 unidades. De dez anos para cá, quando eram somente 347.600, o número de carros em circulação aumentou 40,92%.

Com a passagem dos ônibus aumentando para R$ 1,80 o que não faltam são reclamações do sistema público de transporte e das dificuldades da mobilidade urbana na capital. “Os coletivos vivem lotados e demoram a passar. Estou pagando mais caro e o serviço não melhora”, indagou Pedro Henrique, estudante do Cefet que pertence à Frente Contra o aumento da passagem em Fortaleza. Com faixas de protesto, militantes gritavam, entre uma fala e outra no plenário, ‘Se a passagem não baixar a cidade vai parar’. Os militantes farão hoje pela manhã ato contra a mudança de tarifa em frente ao Gabinete da Prefeitura, na Luciano Carneiro. Apresentando fatores para a garantia de uma melhor mobilidade urbana, o arquiteto e urbanista Antônio Paulo de Holanda falou da importância do planejamento urbano e dos diálogos entre as esferas gestoras responsáveis: “Fortaleza está em situação de crise. Temos índices de engarrafamentos muito altos. A capital é a 9ª colocada do Brasil em nível de saturação de trânsito”, frisou o pesquisador. Segundo ele, as malhas urbanas têm um limite a suportar. Apontando soluções, ele disse que era importante evitar a aceleração para o lado oeste da cidade e ressaltou a importância de estudos técnicos e zoneamentos mais eficazes da cidade.

>> Importância de auditorias e controles sociais. Trazendo para o debate a importância da transparência e justificativa para os aumentos tarifários de ônibus, a pesquisadora Marta Bastos colocou ‘lenha na fogueira’ ao questionar se realmente o aumento fixado em R$1,80 era necessário para o faturamento das 23 empresas de ônibus que circulam na capital. “O preço está alto e a qualidade está ruim. As linhas precisam ser avaliadas e sofrerem auditorias permanentes. É muito provável que algumas empresas estejam superfaturando e o aumento seja injustificado”, provocou a especialista. Segundo ele, se “há tantos coletivos lotados de gente e tão poucos veículos rodando, os empresários devem estar muito bem dos bolsos”, afirmou Marta Bastos. Com 1700 ônibus, as 223 linhas transportam mais de 20% da população diariamente: “o problema não é falta de coletivos, mas sim ausência de espaços para a circulação. Em hora de pico não adianta colocar mais carros nas ruas que eles vão ficar parados”, disse o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), José Ademar Gondim Vasconcelos. Referindo-se às acusações de Marta Bastos, Ademar Gondim falou que a “senhora precisa conhecer melhor nosso sistema e que auditorias são feitas com frequência. Estamos com projetos para novos modelos de compartilhamento dos custos”.

A cada catraca rodada o empresário fatura. Desse modo, segundo Marta Bastos, as empresas “vão ganhando dinheiro e o trabalhador vai sofrendo com o descaso. Há que se pensar na coletividade”, frisou a professora. Refutando as acusações, o diretor Técnico do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), Dimas Barreira, disse que a cidade aumentou, em dez anos, 50% da sua frota de veículos. “Transportávamos 31 milhões de passageiros com 1.100 coletivos, hoje temos mais de 1650 veículos. Para que os passageiros possam se locomover sentados em hora de pico teremos que aumentar”, disse Dimas Barreira.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=12718)

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