h1

Ato pela descriminalização da maconha foi silencioso

maio 9, 2009

(Jornal O Estado – 04.05.09)

Por Ivna Girão

Proibida pela Justiça, marcha defendeu a liberdade de expressão

Divulgação

Divulgação

“A proibição do Ministério Público Estadual fez foi aumentar a visibilidade da marcha da maconha, disse Laércio Avelino, membro do coletivo pela descriminalização da Maconha em Fortaleza. Marcada para acontecer na tarde de ontem, a marcha foi silenciada: o Ministério Público do Estado proibiu a manifestação pública após ter obtido mandado de segurança em decisão liminar para suspender a realização da Marcha na capital. Reunidos no aterro da Praia de Iracema, 40 militantes abriram mão de cartazes e faixas e realizaram, ao invés de uma caminhada, um discreto ato público. “mostramos a cara e falamos à sociedade que somos um movimento social que existe pautado na garantia de direitos civis como a liberdade de expressão. Vamos tentar entrar como novos pedidos judiciais e remarcamos a marcha para o dia 31 de maio. Não podemos ser silenciados”, frisou o organizador da marcha da maconha. De prontidão para possíveis acontecimentos no local, a polícia civil não registrou ocorrências. “Passamos no aterro e estava tudo tranquilo. Não podemos chegar e reprimir qualquer manifestação pública. Eles não realizaram nenhum crime de apologia”, disse o inspetor da polícia civil, Ernani Leão. A manifestação foi proibida também em outras quatro capitais, São Paulo, Salvador e João Pessoa e Goiânia.

De prontidão das 15h às 17h de ontem, o grupo, que pertence a um movimento nacional, pede a descriminalização e a comercialização do produto a fim de reduzir os conflitos sociais na cidade: “não estamos satisfeitos com a violência urbana que há em Fortaleza, nem mesmo com as políticas de repressão. Temos interesse em debater com os órgãos competentes a política vigente com relação à Segurança e à Saúde”, disse Laércio Avelino. Segundo ele, para além da pauta da descriminalização, há também a vontade de pautar, através de audiências públicas, a necessidade do estado ‘abrir os olhos’ para a realidade da “criminalização, da violência urbana e das drogas”, disse o organizador.

“Daqui a pouco vão enquadrar tudo em crime de apologia e vão querer reprimir também que se manifestem contra o aborto. Do ponto de vista técnico, não há motivos para a proibição da marcha da maconha”, disse o advogado assessor do grupo, Jairo Ponte que não tem opinião formada sobre a legalização, mas afirma a “importância de se combater violações contra a liberdade de expressão”. Segundo ele, o estado tem que respeitar e fazer cumprir o direito de livre manifestação: “O pedido foi preconceituoso e revelou uma violência contra os direitos civis. Que democracia é essa?”, questionou o advogado. Segundo Jairo Ponte, um grupo de advogados irá preparar um habeas corpus (HC) para o Tribunal de Justiça, tentando reverter a questão e garantir a marcha para o próximo dia 31.

O protesto em prol da descriminalização da maconha, em que é proibida a participação de menores de 18 anos e o consumo de maconha durante as passeatas, já acontece há nove anos em Nova York. A primeira manifestação brasileira foi em 2002, no Rio. Em São Paulo, duas tentativas, em 2004 e 2006, foram reprimidas pela polícia, apesar de, nessas ocasiões, não haver decisão judicial contra a marcha. Ano passado, a marcha foi proibida pela Justiça na capital e em mais em nove Estados.

(http://www.oestadoce.com.br/index.php?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=11976)

Anúncios

One comment

  1. Coibir/Proibir manifestações pacíficas, sejam quais forem os seus assuntos, é retroceder naquilo que convecionamos apelidar de “democracia”.



Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: