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UFC adia 2ª fase do vestibular

outubro 8, 2009

Por Ivna Girão

Jornal O Estado – 08.10.09

Provas ocorrerão nos dias 13 e 14 de dezembro devido à nova data da prova do Enem

A 2a fase do vestibular da UFC mudou de data: se antes as provas de conhecimentos específicos e a redação aconteceriam nos dias 5 e 6 de dezembro, agora serão realizadas nos dias 13 e 14, uma semana depois do previsto devido à prova do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) que ‘chocaria’ com os exames de admisão da Universidade. A mudança gerou alívio para uns e angústia para outros, afirmou a estudante universitária, Laélia Dantas, que estuda nas Escolas Populares Cooperativas (EPC’s) e vai tentar uma vaga no curso de Secretariado da UFC. “Eu achei bom o adiamento da data, pois tenho mais uns diazinhos para estudar para a segunda fase do vestibular. Entretanto, tem muitos amigos que não gostaram, pois a demora aumenta ainda mais a ansiedade dos pré-vestibulandos”, disse a aluna do Programa de Educação em Células Educacionais (PRECE) com sede no bairro do Benfica e na cidade de Pentecostes. O vice-reitor da UFC, prof. Henry Campos, afirmou que a mudança foi uma maneira de não prejudicar aqueles que haviam se inscrito no Enem. O vice-reitor não excluiu a ideia do Exame ser usado como seleção para a UFC já no próximo ano. “O conselho irá discutir ainda esse mês se vamos aderir ao Enem ou não. Eu e o reitor estamos a favor. Achamos a prova do Enem muito importante”, frisou Henry Campos.

Hoje, a coordenadora de Concursos da UFC (CCV), Maria de Jesus Correia, lançará aditivo ao Edital do Vestibular (no 02/2009), com todas as informações sobre o novo calendário do processo seletivo. Ela afirmou que a mudança não trará nenhum dano financeiro à UFC e que a postergação da data se deu em respeito a quem já tinha se inscrito com o Enem e estavam receosos em conseguir dar conta de duas provas em um único dia. Ela ressaltou ainda que mais de 187 mil cearenses realizarão o Exame para tentar ingressar em 20 instituições brasileiras. Cerca de 45 mil estudantes deverão realizar a prova, que ocorrerá normalmente, sem qualquer mudança. Este ano, a UFC oferece um total de 5.524 vagas, 1.020 a mais que no ano passado, distribuídas por 90 cursos de graduação em campi na Capital e no Interior do Estado. “Apesar de todos os nossos esforços em solucionar os problemas, sei que têm alunos que não gostaram da mudança, pois já tinham se programado de tentar vestibulares em outros estados. Entretanto, é impossível compatibilizar todas as datas de provas de várias universidades no final do ano devido a mudança do Enem”, finalizou a coordenadora.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=34&noticiaID=18116)

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70% dos casos de doenças oculares podem ser prevenidas

outubro 8, 2009

Por Ivna Girão

Jornal O Estado – 08.10.09

Na data em que se comemora o Dia Mundial da Visão, oftalmologistas lembram que 70% dos casos de doenças oculares podem ser tratadas se descobertas logo

Se para alguns, a visita ao oftalmologista serve apenas para a medição e ajuste dos graus dos óculos, para a Sociedade de Oftalmologia do Ceará (SOC) a ida ao consultório vai além: prevenção e diagnostico precoce são importantes para a saúde dos olhos. Na data em que se comemora o Dia Mundial da Visão, oftalmologistas lembram que 70% dos casos de doenças oculares podem ser tratadas se descobertas logo. “A informação ainda é uma forte arma contra o glaucoma, a catarata e demais problemas que podem diminuir a qualidade de vida e levar a cegueira. Alertamos para a importância da visita anual ao oftalmologista”, disse o presidente da SOC, David Lucena.

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E para quem pensa que as doenças oculares atingem apenas as pessoas acima de 65 anos, o doutor David Lucena informou que é comuns crianças nascerem com problemas congênitos e apresentarem danos a catarata, por exemplo. “Não é só idosos que sofrem com isso. Recentemente, fizemos um mutirão de cirurgias em 40 meninos e meninas carentes. As mães têm que levar os filhos ao oftalmologista a partir dos três anos de idade”, frisou o presidente da SOC. Hoje uma confraternização irá comemorara a saúde ocular dessas crianças atendidas no mutirão, afirmou. Problema não só dos menores, a catarata atinge milhares de pessoas em todo o Brasil. Ele afirmou que a demanda por cirurgias da catarata é muita alta no Ceará: era para o estado realizar cerca de 40 mil intervenções em um ano, menos da metade é atendida. “Temos uma demanda muito grande de pacientes a espera de uma cirurgia. O uso de óculos escuros e a visita regular ao médico podem evitar a progressão e agravamento da doença”, frisou.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=34&noticiaID=18114)

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Agricultores mais conscientes para o voto eleitoral das eleições em 2010

outubro 8, 2009

Por Ivna Girão

Jornal O Estado – 07.10.09

Com a proximidade do período eleitoral, uma nova pauta entra em cena para os mais de 25 milhões de agricultores ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultora

Produtividade, desenvolvimento sustentável e reforma agrária. Com a proximidade do período eleitoral, uma nova pauta entra em cena para os mais de 25 milhões de agricultores ligados à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) no Brasil: a da corrida eleitoral para as eleições de 2010. “Como realizar a reforma agrária no País com a bancada ruralista mandando no Congresso Nacional?”, questionou um dos diretores da Confederação, José Wilson Gonçalves. Aproveitando a presença de mais de 300 lideranças rurais no 2o Seminário da Regional Nordeste, a Contag anunciou ontem a manutenção do apoio ao governo do PT para o cargo de presidente e reforçou a necessidade de agricultores mais conscientes do poder do voto, de candidatura oriundas de sindicalizados e de oferecer apoio aqueles que mostrarem alguma afeição às demandas da agricultura familiar. No Ceará, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Ceará (Fetraece) não fechou alianças ainda, mas o presidente Moises Braz mostrou ‘simpatia’ à re-eleição do governador Cid Gomes.

Apostando na conscientização política para a construção de um novo cenário eleitoral, a agricultora e presidente do Sindicato dos Trabalhadores(as) Rurais de Paraipaba, Maria Conceição Silva, alertou que não dá para construir uma plataforma coerente sem o apoio dos poderes Legislativo e Executivo. “Não é porque somos agricultores que não temos condições de fazer um bom voto. Pelo contrário, só quem conhece a realidade da agricultura familiar sabe que políticas públicas e sociais são necessárias. Temos que eleger aqueles que estejam comprometidos com a gente”, disse a agricultora que já vê melhoras no município devido ao fortalecimento da agricultura familiar. Segundo ela, mais de quatro mil famílias estão se alimentando e sobrevivendo do sustento que tiram da terra. Confirmando esse crescimento, José Wilson Gonçalves afirmou que 70% da produção nacional de alimentos vêm das pequenas fazendas.

DEFINIÇÕES DO CENÁRIO POLÍTICO

Apesar de não confirmar nada, Moises Braz deixou escapar que têm concordado com a política do governador Cid Gomes e que há, segundo ele, uma possibilidade de apoiá-lo para a re-eleição no próximo ano. “Ainda estamos conversando com os agricultores para vermos como será o futuro. Uma coisa é certa, queremos que eles façam um bom voto”, disse o presidente. Preparando os sindicalizados para a corrida eleitoral, a Fetraece vem realizando encontros sobre as eleições. Ele informou que, nas próximas semanas, a Federação estará promovendo um seminário para discutir nomes e apoiadores políticos. “No nosso encontro estadual em novembro já queremos estar com tudo isso fechado”, concluiu Moises Braz.
Segundo o membro da direção da Contag, o desempenho do Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) nas últimas eleições foi muito positivo e, com a maior conscientização do agricultor para o voto, o cenário pode melhorar ainda mais. No Ceará, 46 vereadores foram eleitos e 16 prefeitos. “Essa pauta das eleições tem sido frequente em nossos seminários. Queremos que a política mude e que novas conquistas sejam feitas a favor da agricultura familiar”, disse José Wilson Gonçalves. Questionado por que a reforma agrária não saiu do papel ainda, ele respondeu que a bancada ruralista “toma conta de tudo e barra todos os projetos que consolidamos nas nossas bases”.

Além da pauta eleitoral, os participantes do Seminário analisaram os resultados do Censo Agropecuário 2006, divulgado pelo IBGE, que mostrou o aumento da concentração de terras no Brasil, sobretudo no Nordeste, e o fortalecimento da agricultura familiar. “Vamos usar esses números para reforçar a pressão para o governo federal publicar a portaria que vai atualizar os índices de produtividade rural”, afirmou Alberto Broch, presidente da Contag. O Encontro Regional Nordeste segue até sexta-feira, dia 9, no Porto D`Aldeia Resort.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=34&noticiaID=18033)

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Família ganha casa nova, enquanto outra se desespera com a perda do imóvel

outubro 8, 2009

Por Ivna Girão, 06.10.09

Jornal O Estado

Devido às práticas de vendas e mau uso dos imóveis, a Prefeitura de Fortaleza resolveu tomar ações mais enérgicas e desocupar os imóveis daqueles que “não possuem direito”

Uns entrando e outros saindo. Assim foi a rotina dos moradores do Conjunto Habitacional Nossa Senhora de Fátima, às margens da BR-116, ontem à tarde em ação de reintegração de posse. Devido às práticas de vendas e mau uso dos imóveis, a Prefeitura de Fortaleza resolveu tomar ações mais enérgicas e desocupar os imóveis daqueles que, segundo a gestão, não possuem mais o direito de morada. Enquanto Ana Cleide Farias, beneficiada com a retirada de um antigo morador, realizava o sonho da casa própria e colocava suas mobílias para dentro da casa; Emanuela Evaristo denunciava que seu ex-marido perdeu o direito de moradia sem sequer ter tido tempo de tirar seus pertences. “Eu estou feliz de ter conseguido um lar para morar, mas estou com medo de confusões com o antigo dono”, afirmou Ana Cleide, a nova moradora do Bloco Q, casa 102. O presidente da Habitafor, Roberto Gomes, frisou que outras nove reintegrações serão feitas ainda esse mês devido à venda, troca ou abandono do imóvel.

Tiago Stille

Tiago Stille

A felicidade de Ana Cleide contrastava com o clima de revolta dos familiares do antigo morador da casa 102. Tentando pôr em ordem o sofá, a cama e as poucas mudas de roupa trazidas da antiga casa que dividia com o pai e outros 10 moradores no Conjunto Residencial Planalto Universo, ela ficou constrangida com as ameaças que recebeu de alguns vizinhos. “Eu vim morar aqui porque a Prefeitura me chamou, mas não quero ter que sair por causa de brigas. Eu também mereço ter minha casinha. Tem gente que ganha a casa, mas não sabe cuidar dela”, disse Ana Cleide. Revoltada com o suposto desrespeito da gestão, a ex-mulher do antigo morador da casa 102 explicou que ele trabalhava no interior, mas vinha para a capital de vez em quando. “Ele não podia vim para cidade todo dia, mas sempre que podia dormia em casa. Eu sei que a nova dona não tem culpa disso, mas a Luizianne não devia tomar a casa de ninguém. Tem família que tem cinco casas e ninguém diz nada”, esbravejou Emanuela Evaristo.

Com as ações de reintegração de posse, o clima no Conjunto Habitacional Nossa Senhora de Fátima não estava muito tranquilo. Curiosa em saber como será a fiscalização da Prefeitura, a moradora do bloco ao lado disse que estava com medo de também perder sua casa. “Eu não vou viajar de jeito nenhum e seu eu sair eu vou deixar os cachorros em casa. Não acho certo vender as casas. Daqui eu só saio se for para o cemitério”, riu Tatiana de Melo enquanto via as vizinhas temerosas com o futuro. Segundo ela, é muito comum a venda e a troca de imóveis em conjuntos habitacionais. “O problema é como a desocupação é feita, tem que ter respeito. Quando eu morava no meu barraco eu podia viajar que ninguém nem dava conta. Agora tem uma ruma de gente fiscalizando e fazendo fofoca. Isso gera briga”, criticou Tatiana de Melo. Segundo a Habitafor, de acordo com a Lei Municipal no 9294 de 2007, moradias concedidas pela Prefeitura de Fortaleza não podem ser vendidas, alugadas, cedidas ou permanecer fechadas. O presidente explicou que essas ações são feitas para garantir o direito à moradia daqueles que realmente precisam. “Essa situação de tirar pessoas dos seus lares, entretanto, não é simples, gera desgastes e muitas vezes incompreensões, mas tudo está sem feito em etapas e os prazos estão sendo respeitados. A fiscalização será intensificada, mas quem não tem problemas não precisa ter medo”, frisou Roberto Gomes.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=34&noticiaID=17963)

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Doenças respiratórias crescem no 2º semestre

outubro 5, 2009

Jornal O Estado – 05.10.09

Por Ivna Girão

Aumento da temperatura, ventos e a floração do caju pioram o quadro

Corredores lotados, mães nervosas e crianças impacientes. Essa é a situação de alguns hospitais infantis durante o segundo semestre do ano. O aumento da temperatura, os típicos ventos fortes e a floração do caju pioram o quadro clínico daqueles que sofrem com infecções e alergias respiratórias. Com sintomas parecidos com a popular gripe, Edilene Souza trouxe o filho de três anos para uma consulta médica. “Ele está com o nariz escorrendo e muita moleza. Tem muitos coleguinhas dele que também estão assim. Eu fico muito preocupada”, disse a mãe. É fácil encontrar na família, no trabalho ou no ciclo de amizades alguém com o nariz ‘fungando’ e com reclamações de dor de garganta e nos olhos. Afirmando que é comum o aumento de casos de doenças respiratórias nesses meses do ano, a doutora Penha Uchoa, presidente da Sociedade Cearense de Pneumologia e Tisiologia (SCPT) disse que as peculiaridades climáticas da estação e da vegetação local podem predispor o aumento de doenças sazonais. “Os ventos fortes carregam uma série de microorganismos e de poeiras”, frisou a médica. Segundo os dados da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (SBAI), é alarmante o número de pessoas alérgicas no mundo: cerca de 30% da população em geral sofre algum tipo de alergia.

Tiago Stille

Rafael Cavalcante

Atendendo muitas crianças com sintomas parecidos com a gripe, a médica de família Raquel Ximenes, informou que muitos dos casos, que se confundem com a doença viral, são apenas resfriados ou rinites. Segundo ela, os ventos dificultam a respiração e podem piorar os sintomas. “Às vezes uma simples lavagem do nariz com soro fisiológico já alivia muito. A rinite sem tratamento pode se agravar e virar uma sinusite. A diferença maior é a secreção do nariz, na sinusite o catarro é mais espesso. Tem-se que se ter muito cuidado com a criança nessa época mais quente do ano”, disse a médica confirmando que a maioria dos casos ambulatoriais atendidos nessa semana eram de meninos e meninas com queixas respiratórias. De agosto a setembro, o corre-corre de crianças e adultos nas filas das emergências hospitalares mostra que a ‘crendice’ popular da ligação do aumento das doenças devido à floração do caju tem sim sua parcela de verdade.

É importante, segundo a médica Penha Uchoa, saber diferenciar as doenças virais, das infecciosas e das alérgicas. Segundo ela, as infecções respiratórias, como gripes, resfriados e pneumonias, são doenças provocadas por vírus e bactérias, portanto, a presença do agente infeccioso é fundamental para o surgimento destas patologias. Já as doenças respiratórias alérgicas, como rinite e asma, são uma resposta exagerada do sistema imunológico à exposição de uma substância estranha como ácaro, fumaça de cigarro, poluição, pêlos, pólen que podem ser transportados pelos ventos. Daí, as típicas alergias sazonais oriundas, muitas vezes, da floração do caju. Dados da Sociedade Cearense de Alergologia revelam que cerca de 1,6 milhões de cearenses convivem com o problema.

A médica Raquel Ximenes afirmou que a floração do caju não explica tudo: as crises respiratórias podem se agravar também com o não cuidado com a higiene e com a ventilação nos ambientes doméstico, de trabalho ou escolar. Ela afirmou que entre os fatores que contribuem para as crises estão fumaça de cigarro, perfumes fortes, inseticida, poeira, bichos de pelúcia, animais com pêlos, cortinas de tecido e ventiladores. “As cidades trazem muita poluição que machucam as mucosas nasais e os olhos. Temos que aprender a conviver com isso sempre tentando se prevenir e mantendo a higiene”, frisou a médica. Completando os conselhos, a doutora Penha Uchoa lembra que os processos alérgicos, de modo geral, apresentam aumento da inciência em virtude da maior urbanização, dos hábitos não saudáveis e da industrialização dos produtos consumidos. “A educação para se evitar os riscos e reconhecer sinais de crise ou gravidade destas doenças, além da disponibilização de medicação específica, especialmente para a asma nas unidades do SUS, representam fatores essenciais para controle destas doenças”, concluiu a presidente da Sociedade Cearense de Pneumologia e Tisiologia (SCPT).

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=34&noticiaID=17932)

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Mutirão Carcerário concede benefícios

setembro 30, 2009

Por Ivna Girão

Jornal O Estado – 30 de setembro de 2009

Segundo o CNJ, o Estado é o que mais ofereceu alvarás no Brasil

O sorriso no rosto demonstrava a alegria de quem ia começar uma vida nova. Como atividade do Mutirão Carcerário, aconteceu ontem à tarde uma audiência coletiva que concedeu alvarás de soltura para mais 31 detentos que estavam cumprindo pena. Entre os benefícios estavam o regime aberto, o trabalho externo e a extinção de pena. Trazendo pertences pessoais nas mãos e uma leveza no coração, a ex-presidiária Flávia (nome fictício), 27, não conteve as lágrimas ao abraçar a irmã que ela não via há meses. “Vou recomeçar minha vida. Com o apoio do Mutirão, vou arranjar um emprego e agora vou olhar só para frente”, disse a jovem que trazia nas mãos um ventilador, colchão e sacolas de roupas, lembranças dos quase três anos que esteve presa por tentativa de assalto.

Com um total de 5.447 processos avaliados e 1.887 benefícios concedidos, o Mutirão já libertou 1.407 presos. Segundo o juiz federal Marcelo Lobão, representante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Ceará é o estado que mais ofereceu alvarás. O juiz acredita que até o dia 15 de outubro devem estar concluídos os trabalhos. “Não estamos fazendo nenhum favor, as concessões são um direito. Não fazemos a soltura pura e simplesmente, nós estamos criando uma rede social que garantirá emprego e dignidade para o egresso”, frisou o juiz federal. Segundo Marcelo Lobão, o direito ao trabalho externo foi concedido aos detentos que estão no regime semi-aberto, cuja legislação, permite que o apenado trabalhe de segunda a sexta-feira, tenha o descanso domiciliar e volte a se recolher ao presídio somente nos finais de semana e feriados. Os demais re-educandos foram beneficiados com o indulto, que é um ato do Poder Público que extingue o cumprimento da condenação imposta ao sentenciado.

Como parte do programa ‘Liberdade com Cidadania’, cada um que ia ganhando seus benefícios já saia do Fórum com um encaminhamento profissional para cursos e capacitações nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) da Prefeitura de Fortaleza. “Esperamos que o retorno dos presos às famílias se dê de forma amorosa e tranquila. Vocês têm compromissos com seus familiares e com um novo futuro profissional que vão construir”, aconselhou Luísa Cristina, coordenadora da equipe de servidores do Mutirão Carcerário, a cada um dos 31 presentes na Audiência Coletiva. Ela explicou ainda que o objetivo é propiciar uma rede de atendimento e suporte ao egresso e seus familiares.

Orgulhoso de ver a filha, a mãe e o irmão presentes, Marcos (nome fictício), 31, ganhou o benefício do trabalho externo. “Minha alegria é poder sonhar com o futuro de novo e sair daquele inferno que era a prisão”, disse o egresso. Com o alvará em mãos, ele não cansava de dizer que o seu único desejo era poder ter liberdade para terminar a faculdade de enfermagem. Abraçado com a filha pequena, ele sabia que, apesar da soltura, teria algumas condições a cumprir como não frequentar bares, não consumir bebidas alcoólicas e se recolher ao presídio nos finais de semana e feriados. “O mais importante para a gente é que eles cumpram as exigências e não voltem a reincidir”, disse o juiz Epitácio Quezado Cruz Júnior. Apesar de ganharem benefícios diferentes, todos os 31 tiveram a mesma ação ao fim da Audiência: correr para a casa para poderem dormir no aconchego dos seus lares. “Eu nem contei para ninguém que estava livre. Preferi fazer a surpresa. Vou poder jantar com a família reunida”, disse sorrindo Flávia.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=34&noticiaID=17718)

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Familiares criticam Mutirão Carcerário

setembro 30, 2009

Por Ivna Girão

Jornal O Estado – 25 de setembro de 2009

Projeto quer oferecer qualificação profissional aos egressos no Ceará

A mãe se arrumou, passou perfume nos dois filhos e foi ao Fórum Clóvis Beviláqua receber o marido que iria, segundo ela, ganhar o benefício da liberdade através do Mutirão Carcerário. Minutos depois, já com os olhos chorosos, Miria Pereira gritava pelos corredores: seu marido não ia mais ser libertado como haviam prometido. Vinda de Pacajus, a senhora chamava o Mutirão de ‘mentirão’. Com papelada de processos nas mãos, uma das coordenadoras do Projeto, Roberlene Rodrigues, mandava a mulher parar de chorar e avisava que o pedido de alvará de soltura do seu marido tinha sido realmente indeferido e que nada mais podia ser feito. Miria Pereira, no entanto, continuava a dizer que a Justiça tinha dado sua liberdade. Depois de muita confusão e bate-boca, uma boa nova chegou: o esposo de Miria ganhara a semiliberdade e tudo não passara de um mal-entendido. “Foi só uma desorganização nossa”, tentou se explicar a coordenadora. Numa tarde de plantão no Fórum muitas foram as histórias de desrespeito aos familiares de presos.

Banco de dados

Banco de dados

Explicando que o Mutirão Carcerário gera muitas expectativas nas famílias dos presos, o juiz federal Marcelo Lobão, representante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), frisou que muitas pessoas vêm ao Fórum todos os dias apurar informações. “Tem-se uma expectativa que todos vão ser soltos, mas não é assim. Estamos tentando consultar com cuidado os mais de 14 mil processos existentes. Às vezes acontecem confusões como essas”, frisou o juiz. Fazendo plantão na porta do Mutirão, Aparecida Guimarães não acredita que todos vão ser julgados. Ela disse que seu esposo foi condenado a quatro anos de prisão, mas, segundo ela, já fazem mais de seis anos que ele está detido e nada foi feito ainda. “Eu sempre venho aqui e o povo só me enrola. Só por que a gente é pobre não temos direito a nada, é?”, questionou a mulher, que juntamente com Miria Pereira, não cansavam de reclamar do descaso com seus maridos.

PROJETO LIBERDADE CIDADÃ

Reconhecendo que o papel do Mutirão Carcerário não é somente o de revisar os processos, o juiz Marcelo Lobão disse que, por trás de cada prisão, há inúmeros problemas sociais. Segundo ele, um dos objetivos do projeto é dar assistência beneficiária e social às esposas e filhos dos detidos. Lançado na tarde de ontem, uma nova ação promete ajudar aqueles que, liberados pelo Mutirão Carcerário, tentarão construir um futuro longe das grandes. O projeto ‘Liberdade com Cidadania’ quer avançar na proposta de ressocialização dos egressos e dar emprego e capacitação profissionais aos mais de 1.357 que, até ontem, ganharam o direito à semiliberdade. Dezenas de empresários e gestores públicos formam agora um Conselho Gestor para discutir, articular e desenvolver ações que possibilitem o acesso de presos ao sistema de proteção social.

Oferecendo seis cursos de capacitação para um total de 150 presos, a coordenadora do programa ‘Criando Oportunidades’ da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), Márcia Mororó, frisou a necessidade de se dar uma nova chance àqueles que já pagaram pelos seus erros. “Vamos capacitá-los para trabalhar principalmente na área metalúrgica e voltarem a ter dignidade”, frisou a coordenadora. Representante de uma empresa de metais, Deyse Maia fica orgulhosa em poder oferecer trabalho aos egressos. “A gente já vem trabalhando com adolescentes em conflito com a lei e agora com presidiários”, disse a empresária. Uma nova reunião do Conselho Gestor do programa ‘Liberdade com Cidadania’ acontecerá no próximo dia 8, quando outros grupos apresentarão suas disponibilidades de vagas. “Queremos que a sociedade se comprometa na resolução desse problema. Eles têm direito à capacitação e ao trabalho quando saem das prisões”, concluiu o juiz.

(http://www.oestadoce.com.br/index.php?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=17558)