Archive for the ‘maio’ Category

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Buracos ganham placas com publicidades para veículos

maio 25, 2009

(Jornal O Estado – 25.05.09)

Por Ivna Girão

Agência promove venda de amortecedores a pneus com seus respectivos preços

Isso é que é gostar de rir das desgraças da cidade. No mesmo dia em que a prefeita Luizianne Lins iniciou a ‘Operação tapa-buraco’, publicitários aproveitaram para inovar. Explorando o jeito moleque do cearense, a agência de publicidade G Marketing colocou, na sexta-feira, cartazes publicitários nos buracos das vias públicas para fazer propaganda de pneus para carros: “Aproveitamos a oportunidade de todos estarem reclamando para vender mais. Comunicação é criatividade e inovação”, frisou o publicitário Carlos Gama. Em uma das placas, colocada em uma cratera na rua José Leon na Cidade dos Funcionários, os dizeres ‘Cuidado, buraco’ alertam aos motoristas dos riscos na pista e publicizam a venda de amortecedores. Desrespeitando a legislação nº 8221/98 da Secretaria do Meio Ambiente (Semam), até a tarde de sexta, duas das cinco propagandas, já haviam sido retiradas pelo órgão.

De um jeito brincalhão, o publicitário justificou que a ideia era “alertar à população sobre os buracos já que o Poder Público não faz isso”, brincou o dono da agência. Segundo ele, técnicos da Semam ligaram exigindo a retirada imediata: “na hora de brigar eles são rápidos. Por que não são tão ágeis assim para tampar as crateras?”, indagou Carlos Gama. Afirmando a necessidade de cuidados com as vias da cidade, Carlos Gama disse que a propaganda tem que se aproximar das rotinas e problemas do dia-a-dia para fazer sucesso.

Exigindo que as propagandas sejam regularizadas, a Semam notificou a agência pela propaganda inusitada. Segundo Maria Luiza Tavares, coordenadora da Comissão de Publicidade e Propaganda da Secretaria, “essa publicidade é indevida e pode atrapalhar o trânsito”. Ela disse que mesmo com a intenção de realizar um serviço, uma sinalização para os motoristas, a Agência G Marketing não cumpriu a lei de regularização. “Os publicitários se aproveitam da situação para ganhar dinheiro e vender. A Prefeita já está tampando os buracos”, finalizou a coordenadora. Mesmo com humor e criatividade, é preciso que a propaganda esteja conforme a legislação. A Semam prometeu retirar os outros cartazes publicitários e fiscalizar para que a moda não pegue.

» A cidade e os buracos. O que não falta é gente batizando as crateras da cidade e dando risada da situação. Segundo o publicitário Carlos Gama, a quebradeira de Fortaleza virou motivo de piada. “As pessoas querem se comunicar, explanar suas revoltas e exigir seus direitos. Não só com o intuito de vender, a publicidade tem também uma característica de serviço. Se meu pneu furar é a Prefeitura que vai pagar o conserto?”, riu. Segundo ele, a ideia de publicizar nos buracos é inédita: “sugerimos à empresa Fazauto e eles toparam. Até imaginamos que poderia dar o que falar, mas topamos a brincadeira que deu certo. Na próxima época de chuvas se um carro quebrar pela buraqueira, vão se lembrar dessa propaganda”, ressaltou Carlos Gama.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=12852)

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Servidores reivindicam segurança no Hospital Mental de Messejana

maio 22, 2009

(Jornal O Estado – 22.05.09)

Por Ivna Girão

Dentre as queixas, os servidores reclamam de roubos a bens patrimoniais, de ameaças de morte e insultos a funcionários

“Somos um hospital e não um presídio. Aumentar os muros e colocar policiais é um retrocesso a todos os avanços que já tivemos”, frisou o diretor do Hospital Mental de Messejana, Marcelo Teófilo, ao receber, do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público do Ceará (MOVA-SE), denúncias de falta de segurança no local e de vulnerabilidade dos mais de 300 servidores que trabalham na instituição. Coincidência ou não, essa pauta vem à tona na semana em que se comemora o dia nacional de Luta Antimanicomial no Brasil, 18 de maio. A Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (Sesa) vai colocar, ainda hoje dois guardas para reforçar a segurança.

Dentre as queixas, os servidores reclamam de roubos a bens patrimoniais, de ameaças de morte e insultos a funcionários: “os servidores sofre m terrorismo psicológicos de alguns dependentes químicos que fazem parte do programa Elos da Vida. Os muros são baixos e não há policiamento adequado. Queremos prevenir que transtornos maiores aconteçam e que os trabalhadores possam atuar sem correr riscos”, afirmou o coordenador do Mova-se Airton Lucena Filho. Reivindicando reunião com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), o sindicalista aguarda. “Já encaminhamos um ofício e queremos resolver essa questão em parceria com os gestores responsáveis”, disse Airton Lucena. Com 30 dependentes químicos em tratamento no programa Elo da Vida, o Marcelo Teófilo reafirma o “compromisso com a segurança e acha um exagero as denúncias do Sindicato”.

Relatando a vulnerabilidade dos servidores da instituição, o coordenador do Mova-se fala que o policiamento é insuficiente para uma unidade que oferece tratamento aos usuários de drogas, álcool e pessoas com transtornos mentais. “Recebemos denúncias de alguns trabalhadores que estão sofrendo ameaças dos usuários de droga em tratamento sem internação. Já pensou um deles sair de noite e ameaçar, nas ruas, um servidor nosso?”, indagou o coordenador do Sindicato. Segundo ele, a vigilância não é adequada e o controle de entrada e saída de drogadictos é falho. “Os dependentes químicos chegam a pular o muro para fugir e até podem agredir os trabalhadores”, disse o representante do Mova-se. Airton Filho disse ainda que o objetivo não é “reprimir os pacientes, mas garantir segurança de trabalho para aqueles que estão sofrendo com as fragilidades e omissões do serviço público”.

O diretor do Hospital Mental de Messejana afirmou que “há necessidade de cuidados com a segurança, mas que há também muito exagero na fala do Mova-se”. Segundo o médico, uma equipe de sete seguranças faz rodízio para garantir a tranquilidade na instituição. Ele disse ainda que a questão é muito delicada e representa “uma linha tênue entre a dita segurança e o preconceito e criminalização do paciente”. Há dois anos à frente da direção, ele relatou que acontecem poucos casos pontuais, mas que aumentar muros não resolverá nada. “Temos que garantir a dignidade e o tratamento dos pacientes. Ter policiais pode trazer mais problemas e reprimir ainda mais os drogadictos. Já pensou se, em crise de abstinência, um interno pega uma arma do vigilante?”, alertou Marcelo Teófilo.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=12773)

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Luta Antimanicomial pela autonomia

maio 22, 2009

(Jornal O Estado – 22.05.09)

Por Ivna Girão

Com parte da programação, o Fórum Cearense de Luta Antimanicomial realizou ontem à tarde, na XIV Semana de Psicologia da UNIFOR

Encerrando ontem as atividades da Semana de Luta Antimanicomial no Ceará, militantes realizaram debates sobre a questão do direito à liberdade e dignidade da pessoa com transtorno mental. Analisando as reivindicações do Mova-se em colocar mais segurança no Hospital Mental de Messejana, o médico e membro do Fórum Cearense de Luta Antimanicomial, Felipe Costa, ressaltou que a atitude de colocar mais vigilância na instituição pode “reforçar estigmas do paciente com transtornos mentais e situá-los ainda mais em situação de marginalidade e isolamento social”. Segundo o militante, o tema tem que ser debatido com muito cuidado para que não se volte a políticas antigas de internações manicomiais. A Lei nº 10.216/01 apresenta, em seu texto, a importância do direito à singularidade e a liberdade do portador de sofrimento mental.

Tentando negar os criminosos métodos de tratamento, entre eles aqueles que utilizam de eletrochoque e da psicocirurgia, o Fórum Cearense acredita no cuidado da pessoa e não somente da doença: “há mil possibilidades de tratar o paciente para além dos Hospitais de internação. É possível cuidar em centros de convivência comunitária e em lares-abrigos que fogem dos esquemas de hospitais-presídios”.

Com dois Centros de Atenção Psicossocial (Caps) para dependentes químicos, outros dois Caps Infantil, uma residência terapêutica e poucos hospitais mentais, a cidade, segundo Felipe Costa, não dá conta das necessidades e demandas da população. Referindo-se aos riscos potencias que os drogadictos podem trazer aos servidores, o médico disse que é preciso entender as fragilidades de cada paciente e que os técnicos têm que estar capacitados para tal função: “esse conceito de periculosidade da pessoa com transtorno mental é errado. Eles não comentem nem mais nem menos crimes que a pessoa dita normal”, disse o militante.

Com parte da programação, o Fórum Cearense de Luta Antimanicomial realizou ontem à tarde, na XIV Semana de Psicologia da UNIFOR, a palestra “A Visão dos Modelos Assistenciais de Saúde Mental”. Na última segunda-feira, militantes promoveram Audiência Pública na Assembleia Legislativa sobre os alcances da Lei no 10.216/01, que trata da proteção e dos direitos das pessoas com problemas mentais.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=12774)


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Apenas 16% da população utilizam transporte individual

maio 21, 2009

(Jornal O Estado – 21.05.09)

Por Ivna Girão

Gestores, políticos e pesquisadores discutiram saída para caos urbano

divulgação

divulgação

Tempo de viagem, espera pelos coletivos, segurança no percurso, preço da tarifa, qualidade dos serviços e conforto. Todos esses fatores devem ser analisados pelos gestores e empresários de ônibus para a garantia do bom funcionamento do sistema de transporte público rodoviário em Fortaleza. Como garantir qualidade de vida para o trabalhador que diariamente tem que encarar a lotação dos ônibus? Em audiência pública sobre mobilidade urbana em Fortaleza, na tarde de ontem na Câmara dos Vereadores, gestores, políticos e pesquisadores pareciam chegar a um consenso: o problema da mobilidade de passageiros não é a falta de ônibus, mas a necessidade das aberturas de novas vias de acesso ao trânsito. Em hora de ‘pico’ vemos que a cidade não comporta mais tantos veículos. Representando a maioria da população, os usuários de sistema coletivo sofrem: “apenas 16% da população utiliza o transporte individual. O uso do automóvel é uma das principais causas da situação no caos urbano em Fortaleza. essa minoria engarrafa o trânsito”, disse o vereador João Alfredo (PSol) que requereu a audiência. A frota atual de veículos em Fortaleza já passa de 589.590 unidades. De dez anos para cá, quando eram somente 347.600, o número de carros em circulação aumentou 40,92%.

Com a passagem dos ônibus aumentando para R$ 1,80 o que não faltam são reclamações do sistema público de transporte e das dificuldades da mobilidade urbana na capital. “Os coletivos vivem lotados e demoram a passar. Estou pagando mais caro e o serviço não melhora”, indagou Pedro Henrique, estudante do Cefet que pertence à Frente Contra o aumento da passagem em Fortaleza. Com faixas de protesto, militantes gritavam, entre uma fala e outra no plenário, ‘Se a passagem não baixar a cidade vai parar’. Os militantes farão hoje pela manhã ato contra a mudança de tarifa em frente ao Gabinete da Prefeitura, na Luciano Carneiro. Apresentando fatores para a garantia de uma melhor mobilidade urbana, o arquiteto e urbanista Antônio Paulo de Holanda falou da importância do planejamento urbano e dos diálogos entre as esferas gestoras responsáveis: “Fortaleza está em situação de crise. Temos índices de engarrafamentos muito altos. A capital é a 9ª colocada do Brasil em nível de saturação de trânsito”, frisou o pesquisador. Segundo ele, as malhas urbanas têm um limite a suportar. Apontando soluções, ele disse que era importante evitar a aceleração para o lado oeste da cidade e ressaltou a importância de estudos técnicos e zoneamentos mais eficazes da cidade.

>> Importância de auditorias e controles sociais. Trazendo para o debate a importância da transparência e justificativa para os aumentos tarifários de ônibus, a pesquisadora Marta Bastos colocou ‘lenha na fogueira’ ao questionar se realmente o aumento fixado em R$1,80 era necessário para o faturamento das 23 empresas de ônibus que circulam na capital. “O preço está alto e a qualidade está ruim. As linhas precisam ser avaliadas e sofrerem auditorias permanentes. É muito provável que algumas empresas estejam superfaturando e o aumento seja injustificado”, provocou a especialista. Segundo ele, se “há tantos coletivos lotados de gente e tão poucos veículos rodando, os empresários devem estar muito bem dos bolsos”, afirmou Marta Bastos. Com 1700 ônibus, as 223 linhas transportam mais de 20% da população diariamente: “o problema não é falta de coletivos, mas sim ausência de espaços para a circulação. Em hora de pico não adianta colocar mais carros nas ruas que eles vão ficar parados”, disse o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), José Ademar Gondim Vasconcelos. Referindo-se às acusações de Marta Bastos, Ademar Gondim falou que a “senhora precisa conhecer melhor nosso sistema e que auditorias são feitas com frequência. Estamos com projetos para novos modelos de compartilhamento dos custos”.

A cada catraca rodada o empresário fatura. Desse modo, segundo Marta Bastos, as empresas “vão ganhando dinheiro e o trabalhador vai sofrendo com o descaso. Há que se pensar na coletividade”, frisou a professora. Refutando as acusações, o diretor Técnico do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus), Dimas Barreira, disse que a cidade aumentou, em dez anos, 50% da sua frota de veículos. “Transportávamos 31 milhões de passageiros com 1.100 coletivos, hoje temos mais de 1650 veículos. Para que os passageiros possam se locomover sentados em hora de pico teremos que aumentar”, disse Dimas Barreira.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=12718)

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Fortaleza é líder nacional em denúncias de exploração sexual

maio 19, 2009

(Jornal O Estado – 19.05.09)

Por Ivna Girão

Taxistas são apontados como principais intermediadores

No Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual no Brasil, a Polícia Federal, através da Operação Turko, realizou no Ceará dois mandatos de busca e apreensão para combater crimes de pornografia infantil na internet. Para marcar a data, mais de mil vozes romperam o silêncio de crianças e jovens abusadas sexualmente em Fortaleza, cidade que lidera o ranking nacional de denúncias contra violência sexual no País. Só no ano passado, 1.605 denúncias de exploração sexual foram recebidas na capital através do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes (Disque 100), do Governo. Entre a denúncia e a efetiva proteção aos jovens falta muito ainda: os dados não mostram necessariamente que as violações aumentaram ou diminuíram, mas sim que a consciência das pessoas aumentou.

“As denúncias são importantes, mas a proteção é fundamental. As crianças precisam de carinho, de escola, de moradia, de dignidade, enfim, de garantias sociais que não a tornem vítimas”, afirmou Lídia Rodrigues, secretária Executiva do Fórum Cearense de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes. Nos meses de janeiro e fevereiro desse ano, 194 denúncias foram feitas no Disque 100, em média três a cada dia. Fazendo parte de uma rede de turismo sexual, taxistas são apontados como principais intermediadores entre a vítima e o criminoso. De acordo com a Lei nº 8069/90, artigo 244-A (Estatuto da Criança e do Adolescente), a exploração sexual de crianças e adolescentes é crime. A pena é de 4 a 10 anos de reclusão e multa.

Tiago Stille

Tiago Stille

Em cortejo pelas ruas do Centro, militantes sociais e adolescentes realizaram ato na tarde de ontem. Com pernas-de-pau, fantasiados, dançando e tocando percussão, os jovens chamaram atenção dos transeuntes para o combate à violência sexual. A data marca uma reflexão sobre o mundo e as questões tanto culturais, quanto financeiras e emocionais que cercam a problemática. Segundo a representante do Fórum de Enfrentamento “essas violações são fruto de uma sociedade capitalista, sexistas, machista que vê as crianças como objetos”. Em manifestação, o grupo saiu da Praça da Criança e seguiu até a Praça do Ferreira com apresentações de diversas atrações culturais. Mais de 20 grupos e entidades sociais estiveram presentes levantando a bandeira contra o silêncio e a omissão.

» A importância de denunciar. A cada passo que davam, os militantes informavam à população, distribuindo panfletos e uma pulseira da campanha ‘Faça o bem’. Colocando o enfeite no braço, a mãe de três filhos, que não quis se identificar, se entusiasmou com o ato e seguiu o cortejo. “Eu acho muito importante que as pessoas façam isso. Eu cuido muito dos meus meninos para que ninguém possa fazer mal a eles. É dando amor e proteção que podemos evitar que eles, soltos no mundo, corram riscos”, declarou A.P, 23, que aos 10 anos de idade foi abusada no lar por familiares. Segundo ela, esse foi o pior trauma da sua vida. “Vamos proteger nossos meninos das coisas ruins”, finalizou.

Disque 100, Conselho Tutelar, Delegacia de Combate aos Crimes de Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), Disque Direitos Criança e Adolescente (DDCA), através do número 0800-285-0880. Essas são algumas das maneiras de denunciar casos de exploração sexual. Avaliando o hiato entre as denuncias e a real punição dos violadores, Germana Vieira, coordenadora do projeto aquarela da Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci), fala que muitas denúncias ainda são subnotificadas: “Trabalhamos em conjunto para que as vítimas possam receber apoio psicossocial e que a realidade mude”, disse a coordenadora. Segundo ela, a Funci realizou, nos três primeiros meses do ano, 154 visitas domiciliares e 4040 atendimentos psicossociais.

Criticando as políticas públicas de combate em Fortaleza, Lídia Rodrigues disse que não há prioridade orçamentária para a execução de projetos. “Muitas vezes, se percebe a criança apenas como vítima. Os programas têm que vê-la como um todo e pensar que ela tem chance de um futuro novo”, frisou a representante do Fórum. Ela acrescentou que Fortaleza possui apenas uma delegacia de combate e poucos Centros Especializados de Assistência Social (Creas). “Não dá para fazer política sem o real comprometimento do Estado. Há muitos jovens gritando por socorro”, finalizou.

» Vida sem rumo. Desarranjo familiar, miséria, falta de perspectiva de futuro, carência emocional. Muitos são os motivos que levam meninas e meninos para esse mundo que tanto os machuca. Trabalhando há 15 anos nas ruas da cidade, Iara Lima sofre com cada história de sofrimento que testemunha. “As meninas pedem socorro com os olhos e com o corpo. Elas precisam de futuro, de um sonho que as tire dessa e traga um sorriso de volta”, disse a educadora social da Barraca da Amizade. Com projetos de capacitação social, a instituição abriga 20 meninos e ajuda outros 55. “Não podemos ficar calados a espera do poder público apenas”, concluiu a educadora.

Lembrando o violento assassinato em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória/ES, da criança de oito anos chamada Araceli que foi sequestrada e assassinada após ter sido drogada e brutalmente violentada por rapazes de classe média, jovens se manifestaram contra essa e outras ações criminosas. Várias ‘Aracelis’ existem no Jangurussu, por exemplo. Testemunhando duras realidades de vida no Jangurussu, a jovem Erica Santiago, do grupo Convida da Rede do Jangurussu e Ancurí (Reajan) ajuda adolescentes a não serem violadas. “Como jovens temos que pensar no futuro sem violência, com muita paz e alegria”, afirmou a educadora social que veio ao ato acompanhada de outros 100 jovens militantes.

» Pesquisa. Comprovando aquilo que já sabíamos, o estudo da Setfor, lançado ontem, realizou o mapeamento em áreas de risco da cidade a fim de conhecer o panorama da exploração sexual em Fortaleza. Os dados que, mesmo com campanhas de conscientização, ainda podemos encontrar dezenas de meninos e meninas, entre 12 e 17 anos, nas esquinas da cidade, vendendo o corpo e o resto de dignidade que lhes restam. A partir dos estudos em 2007 e 2008, foram mapeados 104 jovens que sofreram violências sexuais na beira-mar e Serrinha.

Dos casos encontrados, 29% desses aconteceram na beira-mar, 23% na Praia de Iracema e 17% nas redondezas do aeroporto. O censo fala também de uma rede de turismo sexual que encadeia hotéis, restaurantes, agências de viagens e taxistas. “Em contexto de exploração e turismo sexual, os taxistas foram apontados como principais intermediadores do crime”, frisou Luiziania Gonçalves, gerente de pesquisa e informação da Setfor. O aumento das denúncias em Fortaleza revela, segundo ela, que a população tem estado mais atenta: “até os turistas tem ficado com medo de serem presos. Estamos aumentando nossas fiscalizações e ações educativas”, finalizou a gerente. Dos turistas violadores, 44% são de origem nacional, 51% internacional e 23% local.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=12600)

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Manifestantes desocupam gabinete e farão nova negociação hoje

maio 16, 2009

(Jornal O Estado – 15.05.09)

Por Ivna Girão

Gabriel Gonçalves

Gabriel Gonçalves

Durante todo o dia de ontem, dezenas de manifestantes do Movimento de Lutas nos Bairros (MLB) acamparam na sede da Prefeitura, na Luciano Carneiro, exigindo cumprimento de duas promessas, acordas na Justiça Federal no último dia 27: garantia de cestas básicas para as famílias que ocupam há um mês um imóvel no Centro, pagamento de aluguel-social para os desalojados e inscrição no Programa ‘Minha Casa, Minha Vida’. Acompanhados de inúmeras crianças, os militantes desocuparam o Gabinete no final da tarde de ontem com a promessa de nova negociação, hoje, às 15h, na Ouvidoria da cidade com o coordenador de Articulação Política da Prefeitura de Fortaleza, Waldemir Catanho. “Nós só conseguimos nossos direitos se agente forçar. Nada vem de graça. Vamos conversar para fechar as pendências e conseguir o que tanto reivindicamos”, disse Ana Virgínia, coordenadora do MLB.

Segundo ela, diversos guardas reprimiam o grupo e nem água e comida podiam entrar: “parecia a ditadura militar. Foi feito um cerco contra nós. Só permitiram entrada de alimentos depois de muita insistência. Queriam que agente morresse de fome, era?”, indagou Ana Virginia. Segundo Ana Virgínia, da coordenação do MLB, cerca de 50 manifestantes conseguiram entrar na sede da Prefeitura e outras 50 ficaram fora.

Acusando os manifestantes de negligência como os filhos, menores de idade, o ouvidor da Prefeitura, Marcelo Fragoso, disse que, se caso os ocupantes não tirassem as crianças do local, chamariam representações do Ministério Público: “Eles trazem os filhos para que todos fiquem comovidos. Não fizemos nenhum tipo de pressão, desde o começo falamos da possibilidade de diálogo”, completou o ouvidor. Segundo ele, a gestão tem arcado com seus compromissos em construir o Conjunto Habitacional e as frentes de trabalho. “Temos sentido muita resistência do MLB em querer aceitar o diálogo. O aluguel-social ainda está em negociação na Câmara. Continuamos à disposição para conversas pacíficas”, disse Marcelo Fragoso.

Insatisfeita com as “eternas promessas”, a coordenadora do MLB disse que não aguenta mais esperar: “faz 15 dias que fizemos o acordo na Justiça e até agora essas duas reinvidicações não foram atendidas ainda. Já encaminhamos diversos ofícios e não recebemos respostas. Temos que ocupar para conseguir algo”, frisou Ana Virgínia. Ela disse ainda que a população é muito humilhada quando quer garantir seus direitos: “quase que deixavam agente passar mal de fome. Só vieram deixar comer no final. Espero que na reunião de hoje nos tratem melhor”, ironizou. Com mais de 200 famílias ocupando um prédio no Centro, manifestantes ficarão no local até o próximo dia 31. “Não queremos sair com as mãos abanando”, concluiu Ana Virgínia.

» Passo-a-passo das negociações. Há mais de um mês em constantes tensões com a Prefeitura, o MLB ocupou o prédio, na rua General Bezerril, no dia 11 de abril. Um total de 200 famílias ainda ocupa o imóvel público que foi cedido pela União para Habitafor. Para retomar o prédio, independente de negociações, a Habitafor entrou com uma Ação de Reintegração de Posse e o juiz da 5ª Vara Federal em Fortaleza, Júlio Rodrigues Coelho Neto, concedeu um Mandado Liminar com prazo de 10 dias para as famílias desocuparem o prédio. No dia 27 de abril, houve uma audiência de conciliação entre o Movimento e a Habitafor, a pedido do mesmo juiz. Na ocasião, ele estendeu o prazo para desocupação do prédio até o dia 31 de maio e essas três pendências, aluguel social, cestas básicas a cadastro no Minha casa, Minha Vida, deveriam estar sendo encaminhadas.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=12509)

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Reumatismo atinge 0,5% em crianças

maio 16, 2009

(Jornal O Estado – 15.05.09)

Por Ivna Girão

No Estado, cerca de 800 mil pessoas possuem algum tipo de doenças reumáticas.

No Estado, cerca de 800 mil pessoas possuem algum tipo de doenças reumáticas. Osteoartrite, osteoporose, fibromialgia, febre reumática e artrite reumatóide. Esses são alguns dos problemas reumáticos mais freqüentes que atingem 20% da população cearense. Sintomas como dor e inflamação nas articulações são os primeiros sinais de uma possível doença. Em campanha de prevenção ‘Reumatismo é coisa séria’, que será lançada no domingo, a Sociedade Brasileira de Reumatologia, pretende incentivar o diagnóstico precoce e mostrar que as dores, em qualquer idade, podem ser aliviadas. “Estamos querendo informar a importância da prevenção, pois sem tratamento adequado, os reumatismos podem chegar incapacidades de mobilidade”, frisou o presidente da Sociedade Cearense de Reumatologia, Max Victor Carioca Freitas. Um dos pontos mais importantes dessa campanha é a divulgação de que o reumatismo não é doença apenas de idoso. Segundo o reumatologista, os problemas atingem diversas faixas etárias. “As crianças sofrem muito com as dores e podem ter problemas de crescimento e locomoção caso não sejam tratadas logo”, disse Max Victor. As doenças reumatológicas reúnem mais de 100 distúrbios que comprometem ossos, cartilagens, articulações e músculos.

Articulações doloridas e rígidas como se estivessem enferrujadas. Para quem tem reumatismo, caminhar pode se tornar uma tarefa muito difícil. Além disso, o cansaço, o mau humor devido às dores, inchaço e vermelhidão das articulações fazem parte da rotina de diversos atingidos. “Os pacientes se queixam muito das dores, o que acaba diminuindo a qualidade de vida e autonomia de muitos deles. Tendo que lidar com as dores durante meses, os enfermos sofrem com a espera por atendimento público”, frisou Max Carioca. Segundo ele, tratamentos amenizam os incômodos e dão mais liberdade aos doentes. “O que não se pode é postergar a procura pelo médico”, disse o presidente da Sociedade. Apesar de algumas artrites reumatóides serem incuráveis, a pessoa pode ter boa qualidade de vida: analgésicos, antiinflamatórios hormonais e não-hormonais, drogas anti-reumáticas modificadoras da doença e medicamentos biológicos podem diminuir a progressão da doença.

Entretanto, outros cuidados são indicados como exercícios físicos. “É muito importante a prática de exercícios físicos e o cuidado com as atividades diárias, visto que muitas das lesões ocorridas na realização dessas tarefas são geradas pela inatividade de músculos, tendões e articulações”, disse o reumatologista. Ele atentou também para os cuidados com quedas em idosos: para minimizar este risco o idoso deve utilizar sapatos confortáveis e com solado antiderrapante, evitar tapetes e pisos escorregadios, usar tapete emborrachado no banheiro, instalar barras de apoio próximo à cama, ao vaso sanitário e ao chuveiro.

>> Solidariedade. “O conhecimento ainda é a melhor prevenção”, afirmou Max Carioca. Em atividade na Beira-Mar na manhã de domingo, médicos reumatologista irão informar à população sobre diagnostico e tratamento: “queremos que, cientes da situação, os pacientes possam aceitar melhor as doenças reumáticas e passem a conviver com as dores de modo mais controlado”, disse o presidente da Sociedade Cearense. Além dos especialistas, teremos a presença Grupo de Apoio aos Portadores de Doenças Reumáticas do Ceará (GARCE). “Nada melhor do que os conselhos de quem sofre com a doença. A solidariedade e o apoio de amigos e familiares é muito importante”, concluiu o médico. Além do grupo de apoio, os pacientes podem contar com três locais capacitados: Hospital Geral de Fortaleza, Hospital Universitário Walter Cantídio, Hospital César Cals e o Hospital Albert Sabin. Estes centros contam com estrutura para executar procedimentos de alta complexidade na área.

DE OLHO NOS SINTOMAS

- Reumatismo não é doença de velho. Boa parte das doenças reumáticas atinge pessoas de todas as idades, incluindo jovens e crianças – como a artrite reumatóide juvenil, doença reumática que tem inicio antes dos 16 anos de idade e que apresenta com os principais sintomas rigidez matinal, dificuldade de andar e de acompanhar as brincadeiras típicas da idade. Entre 25% e 70% das crianças vão continuar com a doença na idade adulta.

- Reumatismo não é sazonal. Embora o frio, em alguns casos, possa aumentar os sintomas, as doenças reumáticas não pioram ou surgem nos dias mais frios. Ocorrem em qualquer época do ano, em pessoas de todas as idades, em ambos os sexos – apesar da maioria atingir mais mulheres do que homens.

- Reumatismo tem tratamento. Apesar de ser uma doença crônica (assim como o diabetes e a hipertensão), muitas vezes sem cura definitiva, o reumatismo tem tratamento, que pode melhorar e restabelecer a qualidade de vida do paciente.

- Não existe um exame único para determinar o diagnóstico da maioria das doenças reumáticas. O diagnóstico é feito com base na história do paciente, exame clínico e exames complementares, como os exames de laboratório e o Raio X. Entretanto, os sintomas das doenças se confundem entre si, levando o paciente, muitas vezes, a iniciar o tratamento correto tardiamente.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=12510)

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Nossa Morada beneficia mais de mil famílias no interior do Ceará

maio 13, 2009

(Jornal O Estado – 13.05.09)

Por Ivna Girão

O agricultor João Moreira, 70, acompanha com ansiedade cada tijolo colocado em sua nova casa. Beneficiado pelo Projeto Nossa Morada, realizado pela Federação de Pescadores e Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraace) em parceria com os Governos Federal e Estadual, o morador de Tucunduba, distrito de Caucaia, se emociona ao falar da realização do sonho da casa própria: “só depois de idoso eu vou ter direito a ter uma casinha. Isso é a grande emoção da minha vida”, disse com um sorriso no rosto o agricultor que mora em um barraco, mas não vê a hora de se mudar para a sua nossa morada. “Estou feliz por demais. Não vou mais precisar ir para a cidade buscar esmola”, frisou João Moreira. O programa de habitação rural tem a meta de entregar 1.513 moradias, dessas 76 estão em fase de construção em Caucaia. Vendo as primeiras casas subirem as fileiras de tijolo, moradores aguardam o dia em que poderão chamar de seu o sonho de muito tempo. “Se as chuvas não atrapalharem, estamos com a previsão de entregar os imóveis no prazo de três meses”, disse o presidente da Fetraace, Francisco Eraque Roque. Com 53m², as unidades habitacionais possuem dois quatros, banheiro, sala, cozinha, varanda e custam 12 mil reais. Ser trabalhador rural, ter um terreno disponível para a construção e colaborar com 5% dos gastos totais da residência. Esses são alguns dos requisitos para participar do programa no Ceará.

Estimular que o agricultor não sai do campo e aumentar sua qualidade de vida. Com essas metas o projeto Nossa Morada tem o objetivo de proporcionar maior desenvolvimento sustentável de diversas comunidades pobres do Ceará. “Essas localidades atendidas pelo programa são muito carentes de programas sociais e de políticas públicas para a garantia da dignidade do agricultor”, disse Francisco Eraque Roque. O presidente afirmou que o projeto vai além da entrega de casas e, segundo ele, avança para realização de programas de agriculturas e pesca. “Queremos que os camponeses se orgulhem do que fazem e desejem continuar no campo produzindo sua comida e enriquecendo o Brasil”, frisou. Ele falou sobre a importância da agricultura de subsistência no Brasil: “70% da nossa produção agrícola vem da agricultura familiar”, afirmou Eraque Roque. A Federação que, reúne 69 sindicatos do Ceará, ainda promove outros dois programas na região de Caucaia. O programa Nossa Morada já entregou dezenas de casas em Maracanaú e iniciará, ainda esse mês, a construção de novas unidades na cidade de Banabuiú, no Sertão Central.

Madeiras, britas, terra e cimento ocupam o lugar do que antes era só mato. “Os materiais de construção estão chegando aos poucos e já estamos vendo o sonho da casa própria próximo a se realizar”, disse o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sintraf), Antonio Xavier. Segundo ele, sete pedreiros estão subindo as paredes das quatro primeiras casas na localidade de Tucunduba. “Alguns dos pedreiros são os próprios moradores. Além de terem um lar, ainda aproveitam para tirar uma grana extra”, frisou Antônio Xavier. Atenta ao passo-a-passo das obras, Maria Xavier da Silva, 38, já sonha com a decoração: “vou querer que a casa seja bem bonita para que eu e meu marido possamos viver feliz longe dos riscos de desabamento que o nosso antigo barraco tinha”, disse a agricultora.

Quem também não escondia seu entusiasmo era o agricultor Otacílio Moreira, 69, que aguarda a entrega das chaves e do documento da sua casa nova. “Eu e mais quatro pessoas moraremos lá. Se antes a gente tinha medo de dormir e a chuva derrubar o nosso barraco, agora estou feliz com o projeto da Federação e me orgulho muito de ser agricultor”, disse Otacílio Moreira. Ele afirma ainda que o “povo do campo tem que ser mais valorizado e respeitado”. Acreditando na atuação comunitária, no fortalecimento da pesca e da agricultura familiar e na autonomia em relação ao Estado, partidos políticos e credos, a Fetraace irá atender outros 21 municípios do Ceará com o Nova Morada. “Queremos que os agricultores se organizem para garantir seus direitos e poderem morar no campo sem sofrer com as invisibilidades do Poder Público”, concluiu o presidente, Eraque Roque.

» Direito à moradia rural. “Ao invés de estar mendigando esmolas e bolsas na capital, o agricultor tem que continuar a morar no seu habitat natural”, disse o presidente da Fetraace. Ele afirma a importância da moradia para a dignidade do trabalhador. “Esses agricultores já sofrem tanto que precisam ter sua casinha para serem mais felizes”, disse Eraque Roque. O acesso à moradia é garantido pela Constituição Federal de 1988 e é responsabilidade do governo federal, estadual e municipal. Na zona rural do País, a população do campo sofre com a falta de mais de 1,7 milhão de casas, segundo levantamento do Governo Federal de 2005, o que representa cerca de 24% do déficit habitacional brasileiro.

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Feirantes se preparam para inauguração da nova feira

maio 13, 2009

(Jornal O Estado – 13.05.09)

Por Ivna Girão

Ambulantes estão cientes que deixarão a Praça da Sé no próximo domingo

Três mil barracas cadastradas, espaço para estacionamento, banheiros, vestiários, segurança e hospedagem para os vendedores de outros estados. Essa realidade nem se parece com a que os feirantes da Sé viviam no Centro da cidade enquanto sofriam, segundo o presidente da Associação dos Feirantes da Feira da Sé (Asfese), Simão Furtado, “perseguições e criminalizações por parte do poder público”. Com prazo de desocupação da praça para domingo, 17, os três mil feirantes cadastrados se preparam para ocupar novo local ao lado do Feira Center, em Maracanaú, há 20 km de distância do Centro de Fortaleza.

Satisfeita com a transferência, a vendedora Maria Daiana ainda está se acostumando com as mudanças: “aqui é muito melhor de trabalhar. Só de não termos que ficar fugindo de Polícia é muito bom. Estamos felizes com o final dessa novela”, frisou a feirante comparando o novo local com o antigo, na Praça da Sé. Enquanto as últimas unidades de barracas eram vendidas, o presidente da Asfese conta as horas para a inauguração da Nova Feira da Sé no domingo à tarde. “Mais de 20 ônibus de compradores do Maranhão confirmaram presença para a inauguração. Queremos que o Ceará seja reconhecido como um pólo de confecções assim como Caruaru e Santa Cruz”, frisou Simão Furtado.

Sem vaga no local, nove mil feirantes ainda aguardam cadastramento e outros ficarão em galpões na rua José Avelino e entorno. “A expectativa da Prefeitura é que, após uma longa negociação já realizada com os comerciantes da feira da Sé, a transferência no domingo ocorra de forma pacífica e ordenada”, afirmou a chefe de distrito de Meio Ambiente da Secretaria Executiva Regional (SER) II, Mércia Albuquerque. Como nem tudo é consenso, o presidente da Associação disse que alguns ainda resistem em se transferir para Maracanaú: “tem gente que não entende que aqui é melhor e mais digno. Muitos querem fazer briga e não aceitam as decisões da coletividade”, disse Simão Furtado. Rebatendo algumas críticas feitas sobre a distância e uma possível queda nas vendas, ele acrescentou dizendo que “não há distância para quem quer fazer bom negócio. Saímos em viagem no começo do mês divulgando o novo local e vimos a boa aceitação dos guias de viagem”, frisou. Segundo o presidente da Asfese, a feira de Santa Cruz em Pernambuco, por exemplo, é afastada da cidade e, mesmo assim, é tida como uma das maiores do Brasil. “Em Pernambuco, os feirantes também sofreram a mesma perseguição que nós, mas o Poder Público viu a importância de se incentivar o comércio”, concluiu Simão Furtado.

Após meses de conflitos entre Prefeitura de Fortaleza e os feirantes, a gestão tem dito que não postergará a data de retirada do pessoal: “ao contrário do quem vem sendo divulgado em carros de som, não haverá um novo prazo para que os comerciantes saiam de lá”, disse Mércia Albuquerque. A decisão atende à determinação de acordo judicial sobre ordenamento do espaço urbano de Fortaleza. Analisando o desfecho da ‘novela’ como positivo, Simão Furtado parece otimista com o futuro: “fomos visitar outras grandes feiras e vimos que agora estamos próximos de nos tornamos um centro de referência têxtil graças aos apoios e parcerias que temos feito. Queremos trabalhar com dignidade e crescer”, disse o presidente da Associação, agradecendo ajudas da Prefeitura de Fortaleza e de Maracanaú. Instalados na estrutura do Feira Center, que agrega 480 boxes e cinco lojas, os feirantes da Nova Feira da Sé parecem ansiosos com a inauguração: “vamos começar nossos trabalhos com o pé direito. Estamos satisfeitos que agora estão reconhecendo que somos trabalhadores como outros”, disse Francisco Sanclé, feirante há quatro anos.

“Não é só a Nova feira da Sé que ganha com tudo isso. Temos todas as chances de crescer e inserir o Ceará na rota de vendas têxtil do Brasil”, disse o superintendente do Feira Center, Luciano Salgado, que afirma ter entrado em contato com mais de 100 guias de compradores do Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia e Pernambuco. “Além desses, estamos ampliando nossos campos de venda para que possamos garantir mais trabalho e dignidade de vida para os feirantes, além de trazer mais desenvolvimento econômico para a Região Metropolitana de Fortaleza”, afirmou com otimismo o vice-presidente da (Asfese), Silvio Costa. Ele disse ainda que, nos próximos meses, há a promessa de ampliação da Feira da Sé para atender outros oito mil feirantes que aguardam vaga na fila de espera.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=19&noticiaID=12349)

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Procissão em homenagem à Nossa Senhora de Fátima

maio 13, 2009

(Jornal O Estado – 13.05.09)

Por Ivna Girão

Com missas a cada hora, festejos mobilizarão centenas de fiéis em Fortaleza

Vestidos de branco, com terço na mão, prontos para caminhar quilômetros em romaria e com o coração cheio de fé, os seguidores de Nossa Senhora de Fátima terão hoje um dia especial de oração e louvor. Lembrando a data da primeira aparição da virgem em Fátima, Portugal, fiéis de Fortaleza terão programação em várias paróquias da cidade. Iniciadas desde o começo do mês de maio, as comemorações se encerram com a tradicional procissão, que sairá hoje, às 18h, da Igreja do Carmo, no Centro da cidade, e percorrerá as ruas Major Facundo, Meton de Alencar, Barão de Aratanha, Dr. Costa Araújo, Napoleão Laureano, chegando à avenida 13 de Maio, na Igreja de Fátima que realizará missas a cada hora.

O dia não é só de fé, mas também de solidariedade. Motivando os católicos a colaborar com os desabrigados das enchentes no interior do Ceará, a paróquia de Fortaleza também está realizando campanha para doações de alimentos aos atingidos: “estamos propondo que recolhamos em todas as nossas comunidades doações em alimentos, roupas e dinheiro para os muitos desabrigados. Poderemos aproveitar o muito concorrido dia 13 de maio, para estas coletas em favor de nossos irmãos desabrigados”, disse, em nota, dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, arcebispo Metropolitano de Fortaleza.

Dando fim às homenagens, a comunidade Nossa Senhora de Fátima, no bairro Jardim Castelão, fará às 19h30min, missa presidida pelo padre Ruy abordando o tema ‘Maria, que gerou o príncipe da paz’. Nas redondezas da Capela, feirinhas e barracas estarão vendendo comidas típicas e conversando com os fiéis. Além do Jardim Castelão, a área Pastoral Nossa Senhora de Fátima, no Álvaro Weyne, realizará hoje seus festejos: a programação começará às 8 horas, com uma celebração eucarística. Às 12 horas, as homenagens seguem com a realização de outra missa às 18h30, procissão saindo do Conjunto Santo Antônio da Floresta até a capela de Nossa Senhora de Fátima. E, finalmente, às 19 horas, missa dedicada às mulheres chamadas de ‘Marias’.

» 92 anos de aparição. No dia 13 de maio de 1917, em Portugal, três crianças assistiam a uma das aparições mais lembradas pelos católicos de todo o mundo: a aparição de Nossa Senhora de Fátima. As aparições ocorreram em Fátima, onde atualmente funciona a Diocese de Leiria-Fátima. As crianças, Lúcia de Jesus, de 10 anos, e Francisco e Jacinta Marto, seus primos, de 9 e 7 anos, à época, voltaram ao local por mais cinco vezes, nos dias 13 de junho, julho, agosto, setembro e outubro, para ouvir a mensagem da santa. Em sua última aparição, com a presença de cerca de 70 mil pessoas, Nossa Senhora de Fátima teria pedido a construção de uma capela em sua honra e foi atendida.

TRÂNSITO

Em operação a partir das 6h com a coibição de estacionamento em alguns trechos do percurso da procissão, a AMC fará o controle do trânsito com auxílio de 14 agentes de trânsito pela manhã, 14 agentes na parte da tarde e 36 agentes à noite, incluindo 16 motociclistas, que farão o acompanhamento de toda a procissão. A previsão da AMC é que a Avenida 13 de Maio seja interditada no trecho entre o viaduto da Aguanambi e a rua Napoleão Laureano, por volta das 19h, quando a procissão acessar a rua Dr. Costa Araújo. O bloqueio permanecerá até o fim da celebração campal, por volta das 23h.

A AMC orienta que os condutores evitem trafegar pela 13 de Maio durante todo o dia, principalmente no período da noite. São alternativas à via: avenidas Eduardo Girão, Borges de Melo, Domingos Olímpio, Padre Valdevino, Duque de Caxias e ruas secundárias do bairro de Fátima. Os cidadãos que forem participar da festa deverão utilizar transporte coletivo ou táxis, com o objetivo de minimizar os transtornos no trânsito. O cometimento de infrações, como estacionamento em local proibido pela sinalização, sobre passeios, em filas duplas, em frente a garagens, será rigorosamente fiscalizado pelos agentes da Autarquia.

(http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=22&noticiaID=12373)

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